sábado, 18 de agosto de 2012

Quem escreve a História II


Alguns esteriótipos vem a tona quando se fala da Amazônia. O primeiro deles em se tratando de história é justamente a noção de vazio demográfico que se implantou na região a partir do período colonial. Quando se trata da questão da construção de identidade recorre-se logo e apressadamente a figura do "caboclo" para definição do "tipo" regional. Nas palavras do Professor Balkar, uma simplificação grosseira.
Índios, missionários e colonos viviam que parece isolados, ora em aldeamentos de repartição ora em vilas dispersas pelo grande vale. O modelo de plantation não se efetivou na região, principalmente devido ao preço elevado dos escravos africanos e claro pela abundante oferta de mão-de-obra indígena.
Apesar disso, há sim indícios significativos tanto de uma presença de negros na região, que embora economicamente não tenham peso antes do chamado período pombalino, criaram estratégias de fuga, resistência e a formação de mocambos (como bem atesta Flávio Gomes, em seu artigo: Amostras Humanas...).
Qual o impacto desta relação tão próxima entre índios e negros no vale Amazônico? Uma área de fronteira, com a presença do branco colonizador, vigiando os espaços, controlando o ritmo do trabalho e impondo sua visão de mundo?
Para a historiografia o impacto se da na visão do "aculturamento", ou seja, índios e negros foram absorvidos pela cultura superior do colonizador branco. O silenciamento a respeito das relações híbridas entre estes grupos que ao contrário do que teimam em afirmar velhos e bons memorialistas, não viviam isolados no grande inferno verde que é a Amazônia.
Há que se pensar com maior cuidado a respeito de qual a identidade destes grupos que povoaram (ou despovoaram) a região. A miscigenação está longe de ser meramente biológica, ocorre de fato um hibridismo cultural, presente em determinadas fontes, sejam as oficiais, onde se recorre a classificações e rótulos típicos do século XIX para se classificar os trabalhadores "mulato, cafuzo, tapuio, preto". Os espaços sejam da cidade de Manaus que cresce junto com a formação da então Província do Amazonas a partir da década de 1850, são caminhos, ou talvez descaminhos, onde a presença cotidiana dos mestiços é inegável, está nos periódicos do século XIX, nas fontes oficiais dos relatórios dos Presidentes de Províncias ou nas fontes da igreja, nas listas de batismo e falecimento da cúria metropolitana.
Como vencer o rótulo de que a Amazônia é um grande vazio? de que a nossa identidade é basicamente "o caboclo" e suas variações (o ribeirinho, dentre outros?) A matriz indígena apesar de evidente é mascarada a partir do século XIX nas obras dos historiadores memorialistas, a matriz africana é silenciada devido sua "presença rarefeita". Há por trás destas ações uma ruptura com o passado da sociedade amazonense?
Afinal como em outra postagem do blog: Quem escreve a História?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quem constrói a história?



PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ
(Bertold Brecht)


Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia varias vezes destruída
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada pagina uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tatas histórias. Tantas questões.’

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O silêncio dos inocentes? O direito a greve.



Vivemos desde o movimento iluminista a propagação dos "direitos naturais" que são atualmente basilares na sociedade contemporânea.
Apesar do longo processo de desconstrução de tais noções (a da razão finita como pórtico de salvação da humanidade, e o famoso lema tripartido da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade), atualmente somos filhos da crítica ferrenha que a pós-modernidade impôs tanto as ciências humanas quanto a este legado do Estado Liberal Burguês.
Estamos passando por um processo de acirramento entre o governo federal e o movimento grevista que vem se ampliando dentro das Universidades e Institutos Federais.
Os legalistas de plantão afirmarão que a Constituição Federal em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89 asseguram o direito de greve a todo trabalhador, competindo-lhe a oportunidade de exercê-lo sobre os interesses que devam por meio dele defender. 
Mas tal artigo constitucional e a lei supramencionada são para os trabalhadores excluídos do regime jurídico único. Aos servidores públicos a lei é bem clara, no inciso VII do art. 37 da Constituição 
“Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
(...)
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;”
Muito menos do que se imagina o que se processa não é meramente um movimento político em defesa de melhoria apenas de planos, cargos, carreira e remuneração. Por trás do movimento grevista da atualidade se esconde a insatisfação dos servidores públicos da educação com o descaso do governo com a educação superior, que vem sendo negligenciada paulatinamente há décadas, fruto da ausência de políticas públicas adequadas a um desenvolvimento estratégico para o setor.
Sofrem os alunos, a comunidade, e a própria Universidade com o sucateamento de sua estrutura, com o achatamento dos salários dos educadores, a ausência de concurso público para o provimento das vagas e principalmente com a tímida recuperação iniciada pelo próprio governo do PT, pós "Era FHC".
O que pretende o movimento grevista? Com a pouca adesão dos próprios docentes, discentes mais preocupados em retornar a suas atividades e o governo ignorando solenemente as lideranças do movimento, podemos nos questionar a respeito deste direito: o direito de greve.
O Direito a greve é garantido por lei, inclusive como citamos aos servidores públicos, mas em um país como o Brasil onde a imensa maioria trabalha sem as mínimas condições de estabilidade e salário digno é difícil conseguir apoio junto a sociedade para a ampliação da qualidade social da educação.
Enquanto isso a imprensa tradicional ignora as quase 50 instituições que paralisaram suas atividades desde maio deste ano! O silêncio dos inocentes?"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." Martin Luther King


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Reflexões iniciais




É pode parecer no primeiro momento em que nos encontramos para nos rever e verificar o que aconteceu que o tempo passou... Na realidade o tempo sempre passa e é interpretado e reinterpretado de várias e diversas formas. O que se constata não é o tempo que nos afeta da forma de um monólogo onipresente, nós através de nossas vivências cotidianas afetamos o espaço tempo. Parece-me um filme muito bom e que lembro pouca coisa e que infelizmente não pude vê-lo por inteiro: O primeiro anos de nossas vidas.Acredito agora que talvez esse mesmo título cabe a nós, o primeiro ano de nossas vidas após o cogumelo dialéctico. Percebemos, assim concluo, que agora é que é o melhor dos anos de nossas vidas, onde uns iniciam uma nova etapa de suas vidas, outras encerram outra e alguns se preparam para compartilhar com outras pessoas. Há que o cogumelo dialéctico nos ensine a verdadeira dialéctica contraditória e magnífica de viver a vida intensamente e compartilha-la com o ser humano, senhor absoluto de sua própria História e de suas estórias...Abraço a todos e a todas.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Encontro/ jul.2012

Neste primeiro encontro após alguns anos sem nos vermos, (estavamos mantendo contato apenas via telefone e internet) contactamos vários colegas e muitos confirmaram, contudo apenas alguns se fizeram presentes: Firmo, Gaspar, Rômulo, Mauricélio, Itamar, Adalgisa e Betânia.
Confiram algumas fotos:
(Problemas pra carregar as fotos) aguardem.


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